quinta-feira, 12 de abril de 2012

Para os poetas, amarelo não é apenas amarelo. Amarelo é ouro, alegria, juba de leão, almofada de sofá, vestido rendado. Para os poetas, azul não é apenas azul. Azul é a cor eternidade. Eternidade é mar, céu, horizonte, teus abismos, teus olhos cheios de promessas… Eternidade é azul. Preto? Também. Por dentro somos pretos. Há quem diga que somos alma, mas não. Somos preto, somos morte, somos canários de asas roubadas. Poeta não morre, não. Poeta vira amor. E não um daqueles amores baratos que compramos em qualquer liquidação de sentimentos. Um daqueles amores bem vivos. Amor de poeta tem cor de sangue e sempre vem detalhado com um tempero de tristeza. E tu? Tu não és poeta. És a mãe de todas as almas. Aquela que carrega no útero toda aquela velha essência das palavras rimadas. Vidente. Vidente, sim. Vidente do ar que entra nos meus pulmões, fazendo-me morrer ou viver com apenas um sopro. Te busco em mares, como uma sereia, e tenho em terra, como uma desilusão de fadas. A lua fascina-te pôr do sol dos teus olhos azuis cor-de-sempre. Não há paredes entre poetar, nem escudo para defesa. Você continua sendo o caviar do meu banquete, a religião do meu coração, o porto onde repousa os sonhos de quem não sabe voar. Então atire-se. Atire-se ao longe, lá no infinito, na âncora dos teus dias. Atire-se lá no Universo, com teu vestido pintado de amarelo-alegria e teu coração deformado com tristezas escuras. Atire-se para que o mundo possa conhecer-te. Atire-se, porque tu és aquela que faz dos amantes menos loucos, dos apaixonados menos insolentes, da vida menos tirana. Aquela com sorriso de cristal, com pele de maçã, com a afinação de saudade. Tu é daquelas estrelas, daqueles bem distantes, quase inalcançáveis e cegantes, daquelas a quem chamamos de amor. Tu és aquele anjo caído, aquela estrofe, aquela rima, aquele silêncio, aquela dor, aquela alegria… Tu és simplesmente poesia.

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