terça-feira, 27 de março de 2012

“Detesto viver rodeada por gente com uma extrema falta de personalidade. Sem contar o quanto são preconceituosos e filhos da mãe, de uma mãe bem infeliz por ter colocado alguém assim no mundo. Se a mãe não for outra preconceituosa nata, né. O nível de preconceito de muitos transbordaria o Rio Nilo. E o pior é que tem ser humano que não suporta a si mesmo, que detesta a sua própria raça. Consideram sua pele um erro de fábrica. A menina ali da esquina ri da cara da outra porque ela não tem o cabelo enorme e liso escorrido como o dela. E quem disse que todo cabelo liso é bonito? Pode ser sem graça pra caramba. Quem disse que nariz fino é perfeito? Aliás, já está mais que claro que ninguém é perfeito. Por que existem uns babacões que se acham a perfeição mundial? Eu não quero nem saber, pois odeio ficar perto de pessoas assim. Que se consideram o centro de um mundo inteiro. Odeio rico metido a cagar cheiroso, que se desvia do povo classe média sentindo que está abalando geral. Abalou sim. Abalou foi à estrutura do que é ética, abalou a população brasileira como um protótipo desrespeitoso e mau caráter. Quando eu penso que passei toda a minha vida estudando para ter o mínimo de educação e logo após vejo esse bando de sem noção e mal educados, entendo que perdi o meu tempo. Perdi o meu tempo me esforçando para ser humilde e virtuosa. Gastei o dinheiro dos meus pais à toa, porque hoje em dia pra ser popular e bem reconhecido tem que ser idiota. Aquele método de colocar uma melancia na cabeça não funciona mais não, amigo.  Pula logo de uma ponte pra ver se alguém te nota. Valores morais, humildade e bom senso foram deixados de lados. A falta de respeito, o orgulho exagerado e a maldade são os donos do pedaço. Aquela tragédia internacional chama mais atenção do que um programa governamental que ajuda os mais pobres. Poucos sabem, mas nessa crueldade toda o preconceito tem uma grande parte. Ninguém quer tocar num mendigo, preferem partir seus corações em dois num romance mal resolvido do que ajudar o próximo. E reconhecer nossos próprios erros é difícil. Quer dizer, não é difícil perceber onde errou e porque errou. É difícil assumir sim que na maior parte do tempo somos egoístas, mimados e cheio de um ego que não vai ajudar em merda nenhuma no futuro. Mais difícil ainda é ordenar aos nossos cérebros que nos transformem em pessoas melhores. Pessoas que saibam aceitar as diferenças, que não façam caretas nas ruas ao ver um indivíduo com tatuagem, que não empurrem as mães que carregam um bebê no carrinho só porque estão morrendo de pressa, que não fiquem furando filas apenas para pagar de fodão, que não se esqueçam de que quando você ajuda um necessitado irá ser recompensado quando menos esperar. Todos os dons que temos para tornar esse mundo igualitário estão sendo depositados em lixeiras. Por favor, se liguem. Ser marrento, estúpido, grosseiro e preconceituoso não é legal. Nunca foi e nunca será.”

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